segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Sem espaço entre as sepulturas

Estreito: para passar entre os túmulos a opção é se apertar nos pequenos espaços ou, ainda, pisar em nas beiradas dos que podem suportar algum peso


Diferenças de tamanhos e modelos. Uns são revestidos de mármore, enquanto outros possuem simplesmente uma delimitação do espaço, feito por alguns poucos tijolos e cobertura de areia. Estes, mais simples, são dos mais antigos. Junto há, também, flores naturais ou artificiais. Mas o que mais chama atenção na composição do Cemitério Municipal de Garopaba é a falta de espaço entre os túmulos e consequente dificuldade para o trânsito de quem precisa entrar no local.
Conforme em qualquer outra história de fundação de municípios, o cemitério foi um dos primeiros espaços a serem construídos e em local bem centralizado. Porém, os anos se passaram e deixou-se de contar com uma pequena população na cidade. As mortes, por sua vez, também aumentaram. E o espaço para sepultamentos foi diminuindo, ocasionando na atual situação. Hoje não há espaço entre os túmulos. Quem lá entra, para ir de um lado a outro é preciso passar entre os pequenos espaços entre um e outro, ou, ainda, atropelar alguns.
A situação preocupa a população há anos. E isso fez com que autoridades se alertassem para o caso. Desde 2009 vêm sendo realizados estudos para a ampliação do espaço físico do cemitério. No mesmo ano, um projeto para cadastramento, adequação e revitalização foi elaborado pela Fundação de Apoio a Educação, Pesquisa e Extensão da Unisul, a Faepesul.
Entre os 4 604, 26 m² que comportavam 833 túmulos, segundo dados do projeto que tem três anos, 572 sepulcros foram identificados enquanto os outros 243 não. Destes últimos, determinada quantidade, não especificada no documento, não possuíam nomes para cadastros e outros tinham os nomes apagados, ou sequer possuíam dados nas sepulturas. Neste total, 816 pessoas foram cadastradas.

Dados coletados no Projeto de cadastramento, adequação e revitalização do Cemitério Municipal de Garopaba
Fonte: Faepesul

Total
%
Total cadastrado
833
100
Identificados
572
68,67
Não identificados
243
29,17
Cruzes (dos túmulos)
9
1,08
Vazio
1
0,12
Ilegível
8
0,96

                                                                
Nova área para ampliação
Diante estreito espaço no Cemitério Municipal de Garopaba, em março de 2011 a Secretaria de Planejamento Territorial e Meio Ambiente fez uma dotação orçamentária, de acordo com o Secretário Laércio da Silva, no valor de R$ 150 mil, para a aquisição de uma área para ampliação e reorganização do espaço. O terreno foi adquirido no mesmo ano e aguarda a realização do projeto.
- A minha ideia, fora do projeto que ainda não foi feito, é padronizar a altura e largura dos túmulos, mas cada família poder construir do seu jeito. Assim poderá ser construído um corredor e as ramificações. Mas isso é apenas uma ideia – salientou o secretário.
Ainda de acordo com o secretário, o cemitério deverá permanecer instalado no mesmo local. A nova área está situada no extremo sul do mesmo e vai facilitar a realização das melhorias. Caso não consigam adquirir outros terrenos arredores, Laércio afirma que será estudada outra alternativa de modo que haja a conservação do atual.



Heloiza Abreu
Matéria publicada na edição nº 16 do Jornal Impresso Catarinense.

Epidemia de cinomose é registrada em Garopaba

Doença: maioria dos casos acontecem com cães de rua. A prevenção é feita com vacinação

Pústulas na barriga e infecções oculares ou pulmonares são os sintomas iniciais que podem indicar contágio de cinomose. A doença infectocontagiosa começou com poucos casos no Centro de Garopaba, no final de 2011. Hoje, pouco mais de oito meses depois, já disseminou e matou quantidade incontável de cães. Para os veterinários, é considerada uma epidemia. E para os donos, a perda do bichinho amigo.
A maioria dos casos da doença, segundo o veterinário Carlos Eduardo Ghisleni, ocorre com os cães de rua. O contágio nos animais domésticos pode acontecer, principalmente, pelo costume que alguns donos têm de liberá-los dos cercados para passeios.
Com a baixa da imunidade do organismo do animal e sem a pontualidade na realização das vacinas, o contágio é facilitado. O Canine Distemper Vírus, que é causador da cinomose, age na célula do sistema nervoso central. E as reações são diversas. Os primeiros sintomas, de acordo com Ghisleni, são conjuntivite, pústulas na barriga e infecções pulmonares. Aos poucos os movimentos musculares ficam comprometidos e pode haver, inclusive, a perda de movimentos nervosos.
- Não dá para prever quanto tempo a doença age. O cão pode suportar de 20 a 60 dias, porque é uma evolução individual, então depende de cada caso – salienta o especialista.
A cinomose, entretanto, pode ter cura se diagnosticada de início e feito tratamento adequado. Ghisleni alerta que cerca de 40% dos casos podem ser curados. O cão pode apenas ter que conviver com algumas sequelas, sem possibilidade de disseminá-la. Mas a prevenção, segundo o veterinário, é a melhor alternativa.
- Se o cachorro estiver vacinado, a imunidade dele vai estar mais alta. Isso vai dificultar que ele seja contagiado. E ele pode até ter contato com algum infectado sem risco – explica.
A vacinação é o método utilizado para a prevenção. São três aplicações, a partir dos 45 dias de vida do animal de estimação. As doses devem ser repetidas a cada ano para garantir a estabilidade imunológica, de acordo com o veterinário.


O grande amigo que se foi
Há três anos Xauxau era o fiel amigo de Vanessa Rosa dos Santos. Mas há pouco mais de um mês o cachorro ativo passou a ter pus nos olhos, não comer e sequer levantar. Aos poucos foi emagrecendo e preocupando a dona. Até que foi levado ao veterinário e dado o diagnóstico: era cinomose.
Entre tratamentos e tentativas de reagir à doença, Xauxau teve mais cerca de um mês de vida. Presenciando o sofrimento, Vanessa percebeu que o sacrifício do cãozinho era a melhor alternativa. E garante que desconhecia a doença, por isso ele não havia sido vacinado.
- Ele não tinha a vacinação em dia. O veterinário alegou que por isso ele teve cinomose. Nós só tínhamos dado a primeira vacina – lamentou.




Heloiza Abreu
Matéria publicada na edição nº 15 do Jornal Impresso Catarinense.

Temporada de avistagem da Baleia Franca de 2012 deve ser expressiva


Recorde: quantidade avistada até o último dia de julho já se aproxima da média dos últimos nove anos



Elas vêm, se procriam e amamentam seus filhotes. Elas também são as donas de cenas deslumbrantes na costa catarinense. As Baleias Franca têm vindo para a região em número cada vez maior a cada ano. Em 2012, de acordo com dados do Projeto Baleia Franca, os 103 mamíferos vistos entre Lagoinha do Leste, na Grande Florianópolis, e Torres/RS já se aproximam da média de 121,2 baleias avistadas desde 2003, quando a temporada passou a se intensificar.
O recorde das visitas dos maiores mamíferos aquáticos aconteceu em 2006, o que pode estar associado ao tsunami que atingiu a Indonésia no mesmo ano, segundo a bióloga do Instituto Baleia Franca, Mônica Pontalti. Três anos depois, em 2009, no entanto, elas pouco apareceram somando apenas 62 da espécie. Esta menor ocorrência de avistagens pode estar relacionada a condicionamentos climáticos.
A partir de 2010 a quantidade voltou a subir. E embora seja um crescimento lento, Mônica acredita ser satisfatório. Organizações Não Governamentais do Brasil, Argentina e Uruguai que estudam a Baleia Franca apontam um crescimento de 7,5% a 8% da população no Atlântico Sul.
A maior concentração é encontrada na região de Garopaba e Imbituba. E a tendência é que aconteça uma migração para o norte, pois já foram registradas visitas em Florianópolis.
Em 2012 a surpresa foi a chegada antecipada. A condição pode significar, entre outras situações, uma temporada maior. A expectativa do IBF é que neste ano sejam encontradas de 150 a 200 Baleias Franca. E o turismo para avistagem, tanto terrestre quanto marítima, para Mônica tende a seguir a mesma proporção.
- É comum saber que elas passem por Torres em maio e, em Garopaba, em julho. Esta chegada mais cedo pode significar que a temporada vai ser maior – salientou a bióloga.



Quantidade de Baleias Franca avistadas em SC/ano
2003
90
2004
80
2005
100
2006 (recorde)
194
2007
114
2008
176
2009 (menor quantidade avistada)
62
2010
102
2011
172
2012
103 (até 31/julho)
Dados do Instituto Baleia Franca



Maiores concentrações em SC
16 baleias na enseada da Ribanceira e Ibiraquera
13 baleias na enseada da Praia da Vila e Itapirubá/norte
Dados do Projeto Baleia Franca


Em busca de águas mais quentes
As Baleias Franca do Atlântico Sul migram para o norte durante o inverno em busca de mares mais quentes. A intenção é utilizar as águas como área de berçário. Desta forma elas podem ter seus filhotes e, também, procriar.


 
Heloiza Abreu
Matéria publicada na edição nº 15 do Jornal Impresso Catarinense.