sexta-feira, 9 de agosto de 2013

De Garopaba para a Itália!


Estudante do 9º semestre do curso de Arquitetura e Urbanismo, Claudia Matos, 21, irá morar em Milão por um ano, onde estudará com bolsa do Ciência Sem Fronteira.

Com passagem marcada para 20 de agosto deste ano, Claudia Matos, 21, viajará para a Itália em busca de novos conhecimentos e experiências de vida, para aplicar na cidade onde nasceu e foi criada, pela qual tem tanto amor, a antiga vila de pescadores, Garopaba. A aluna do 9º semestre do curso de Arquitetura e Urbanismo, bolsista do Prouni na Universidade do Sul de Santa Catarina, foi contemplada por mais um benefício do Governo Federal, uma bolsa de estudos do Ciência Sem Fronteira.

O sonho, que até então era quase uma utopia para Claudia, começou quando, no verão de 2013, assistiu uma propaganda do Ciência sem Fronteira na televisão para que estudantes universitários se inscrevessem no programa pela internet. 

O programa a qualificação de acadêmicos de curso superior em países estrangeiros, visando a qualificação profissional para brasileiros. E para a inscrição o aluno precisa cumprir algumas exigências, como ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio depois de 2009 e ter concluído entre 20% e 90% da graduação em universidade pública ou com algum tipo de bolsa de estudos.

Imediatamente, e em busca de novos horizontes – pois estava na fase final da faculdade, com quase 90% do curso concluído –, fez a inscrição. De início, optou por tentar a bolsa em Portugal, tendo em vista que as aulas seriam ministradas na língua local. Devido o grande número de inscritos para o mesmo país, houve um manejo de alunos para outras localidades, cada um podendo escolher alguns destinos específicos. Foi quando surgiu a alternativa para Claudia estudar na Itália.

Todo este processo, desde o período da inscrição, já dura mais de seis meses, fazendo as expectativas aumentarem ainda mais. Claudia irá passar um ano estudando na Itália, com auxílio do governo, além do direito a outra bolsa de estudos da língua local. Para isso, trancou a matrícula do 10º semestre da faculdade, além da própria formatura, em abril do próximo ano.
Claudia irá morar em Milão, onde já tem contrato de aluguel de um apartamento com outras três colegas brasileiras também beneficiadas com o Ciência Sem Fronteiras. Duas delas são de Florianópolis, uma estudante da UFSC e outra da Unisul do Centro da capital. As outras duas são de São Paulo. Todas irão se conhecer no dia 23, no Politecnico di Milano, onde irão estudar.

- Vai ser uma experiência única. Irá ampliar os meus conhecimentos, vou aprender a me virar sozinha, além de conhecer outras culturas. Eu vou criar a minha própria visão de mundo pelo que eu vou viver e não pelo que eu ouvi falar ou li. O único ponto negativo será ficar longe das pessoas que a gente gosta, mas vai ser preciso abrir mão de alguma coisa – comentou.

Investimento em Planejamento Urbano e Territorial

A área de conhecimento que Claudia irá estudar é de Planejamento Urbano e Territorial. A ideia da estudante é agregar conhecimento para aplicação no Trabalho de Conclusão de Curso que é totalmente voltado para Garopaba.

- Eu quero criar um paralelo entre o que eu vou estudar lá na Itália com a proposta do meu TCC, que visa a revitalização da orla da Praia do Centro e da Lagoa das Capivaras – destacou.

A família
Os parentes e amigos de Claudia estão na mesma ansiedade e euforia da jovem. A expectativa para a viagem iniciaram junto com a inscrição. E agora tomam corpo com a chegada da data do embarque.

- Eu não queria que ela fosse, porque vou sentir saudades. Mas eu sei que é bom para ela. Então ela tem que ir – disse a avó Cecília Patrício, que ajudou a criar Claudia.

O embarque

As passagens rumo à Itália estão marcadas para o próximo dia 20, mas Claudinha, conforme é chamado pelos amigos e família, se despede de Garopaba no dia 17, quando irá viajar para São Paulo e de lá irá embarcar para o sonho europeu.

Heloiza Abreu
Matéria publicada na edição 254 do Jornal da Praia Garopaba 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Mundo unificado pela paz!



É impossível garantir, mas a impressão é que o que foi dito e o que aconteceu na Jornada Mundial da Juventude foi premeditado. As teorias criadas foram as mais variadas. Uns acreditam em destino, outros em outras crenças e alguns em nenhuma delas. Mas o que todos têm certeza é que maldade não houve. Ao contrário: tudo, tudo mesmo, visou o bem para todos.

A postura de poder supremo, tanto da razão, quanto do dinheiro e de muitas outras coisas, precisou ser desmistificada. A Igreja Católica se viu na obrigação de dar um golpe nas próprias crenças para voltar a ser detentora do espaço que possuía anteriormente na sociedade.

Durante muito tempo, e devido muitas razões, esta mesma religião perdeu crédito com a sociedade por não se atualizar a realidade que as pessoas começavam a se inserir. O mundo evoluiu. As comunidades mudaram. As crenças e culturas deram novos passos. Mas o catolicismo não acompanhou, seja por não conseguir seguir o ritmo com que a sociedade mudou, por não sentir necessidade mudar, ou por qualquer outra coisa.

Vejam que a sociedade clama por pessoas mais humildes; aceitou e respeitou a homossexualidade, bissexualidade, transsexualidade e todas as outras opções sexuais existentes; briga por justiça e pelo fim da corrupção; quer alimento e educação de qualidade; anseia por segurança e melhoria na saúde; enfim, repitamos, o mundo mudou. A vida humana se libertou dos tabus e aderiu crenças mais maleáveis, lights

Em outras palavras, o Papa Francisco aderiu àquilo que a sociedade também aderiu. O “Chico”, conforme carinhosamente vem sendo chamado, deu à Igreja a cara do povo. Porque ser Igreja é ser povo sim! A nova administração católica veio como um tsunami que lavou as crenças antigas, dando um brilho nas novas e, consequentemente, aflorando os sentimentos e sensações dos fiéis, sejam eles das mais variadas religiões.

O que as outras religiões têm a ver com isso? Tem a ver que respeitaram e de alguma maneira contribuíram para o evento, direta ou indiretamente. Alguns fiéis de outras igrejas, por exemplo, receberam os peregrinos católicos em suas casas, servindo como colaboradores, como ovelhas do bem.

A JMJ serviu como vertente para escancarar, ou introduzir no subconsciente das pessoas, que a Igreja Católica está disposta a ser mais maleável. Quis mostrar que a mulher é sim dona do seu próprio corpo e que todo mundo pode optar pela opção sexual que lhe fizer mais feliz. E, principalmente, plantou nas mentes que rótulos apenas embalam pessoas, mas o importante é a construção de um caráter sólido, carregado de bons princípios.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

O dia que Garopaba se despediu de Luiz Nestor

Foto: Maurício Dapper.


O prefeito reeleito com maioria absoluta dos votos em 2012 faleceu na madrugada da última sexta-feira, 12.
A maioria dos garopabenses saiu de casa e invadiu o Salão Paroquial da Igreja Matriz na última sexta-feira, 12. O motivo que fez a cidade parar foi a morte do prefeito Luiz Carlos Luiz. E as demonstrações de solidariedade, afeto e dor, tanto pelo representante do executivo quanto pela família, foram inúmeros, inundando o dia que Garopaba nunca viu em sua história: se despedir de um prefeito em exercício.
A notícia do falecimento de Luiz Nestor espalhou-se pela cidade logo após a confirmação do óbito, antes mesmo da uma hora da madrugada. O pano preto pregado na porta do prédio da Prefeitura estampou o luto oficial de três dias decretado para a cidade.
Trabalhadores, aposentados, crianças e estudantes, familiares, amigos e aliados e adversário políticos. Uma camada heterogênea da cidade debruçou-se em lágrimas ao longo do dia, vivendo um turbilhão de sensações e emoções.
Luiz Nestor foi homenageado através de banners espalhados pelo Salão, durante o velório, com fotos de Luiz Líder, Luiz Amigo, Luiz Prefeito e Luiz Família, além de outros formatos de homenagens.
- O Luiz foi um grande servidor. Que ele possa interceder pela cidade, independente de direção – disse o Padre Alceoni Berkenbrock, ex-pároco da cidade, durante a homilia na celebração de corpo presente.
A missa aconteceu as 15h30min na Igreja Católica. Em cortejo memorável, com um número incontável de garopabenses, o corpo do Prefeito visionário foi levado ao Cemitério Público Municipal, onde foi sepultado.

Luiz Nestor família

Neto de agricultor, filho de construtor e, sobretudo, guerreiro na batalha da vida, Luiz Nestor foi mestre na arte de fazer política. Foi exemplo de quem saiu de Garopaba em busca de melhores oportunidades, aplicando todo o aprendizado na cidade que tanto amou.
Luiz Carlos Luiz nasceu no dia 14 de dezembro de 1966. Filho de Maura de Abreu Luiz e Manoel Nestor Luiz. O casal teve outros cinco filhos, além de Luiz: Carlos de Abreu Luiz, Ângela Luiz Nascimento, Maria Alice Malinoski, Dilceia de Abreu Luiz Moreira e Rosane de Abreu Luiz. Todos foram criados em Garopaba e saíram da cidade apenas para estudar.
Nestor teve apenas um filho, Luiz Carlos Luiz Júnior, fruto do seu primeiro casamento. Tempos mais tarde, firmou um relacionamento promissor com Micheline Aranha de Araújo, com quem permaneceu casado até os últimos dias de vida e apadrinhou como filha do coração a enteada Luma Araújo.

Luiz Nestor profissional e político
Empreendedor, Secretário de Turismo de Garopaba, presidente da ACIG e Diretor do Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura do Governo do Estado). Foram estas as principais funções públicas que Luiz Nestor exerceu antes de ser Prefeito de Garopaba. Estudou seis semestres do curso de Engenharia Civil na Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC, em Florianópolis. Depois disso, voltou a Garopaba para fundar uma empresa com a família.
Assumiu a função de presidente da Associação Empresarial e Comercial de Garopaba por dois anos. Na administração do Prefeito Ari Osvaldo Sanseverino, o “Vadinho”, foi Secretário de Turismo. E foi neste período que aflorou a vontade de querer ser Prefeito de Garopaba. Sempre filiado ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro, o PMDB, Nestor enfrentou a campanha eleitoral a partir de 2000. Na primeira oportunidade, alcançou um número referente a 15% da votação. Em 2004, faltaram mil votos para que chegasse a ser eleito. Mas com persistência, em 2008 foi eleito prefeito, com mais de mil votos de diferença. E em 2012, teve mais de sete mil votos na reeleição.

A doença

Em 2009, logo que assumiu o primeiro mandato de administrador de Garopaba, Luiz Nestor se deparou com um problema de saúde. Em janeiro daquele ano foi internado na UTI do Hospital Socimed, em Tubarão, após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Na época, Luiz Nestor foi submetido a uma cirurgia neurológica, onde foi retirado um pequeno segmento do córtex cerebral, que foi acometido pelo AVC. E na sequência retornou aos trabalhos frente à Prefeitura. Ao longo do primeiro mandato, lutou contra a doença.
Em 2012, ele foi diagnosticado com câncer no cérebro deixando ele afastado da Prefeitura desde o dia 03 de maio. Desde então fez diversos tratamentos. A batalha foi enfrentada com garra, numa verdadeira demonstração da vontade que tinha de viver. Logo após a vitória esplendorosa e esmagadora, com mais de sete mil votos totalizados, Luiz Nestor iniciou um tratamento forte para combater a doença. E os primeiros meses do segundo mandato se resumiram na tentativa de se fortificar para voltar a liderar a cidade.
Entre idas e vindas para o hospital, Luiz se despedia, lentamente, da cidade que tanto amou e visou progresso. Mas no dia 15 de junho retornou ao Imperial Hospital de Caridade, em Florianópolis, onde permaneceu por quase um mês. E nos primeiros minutos de 12 de julho, constatou-se o óbito.

Missa de sétimo dia

A missa de sétimo dia do Prefeito Luiz Nestor irá acontecer no próximo sábado, 20, na Igreja Católica, as 19h30min.
 
Heloiza Abreu
Reportagem especial publicada na edição 251 do Jornal da Praia Garopaba

segunda-feira, 15 de julho de 2013

O poeta que se apaixonou por Garopaba


João Batista Rezende, 57, gaúcho, é autor do livro Lugar de Barcos, lançado em maio deste ano

Por trás de fios de cabelos grisalhos há um poema ou uma poesia. Seria ainda mais coerente dizer que por trás de tudo o que João Batista Rezende diz ou pensa há um poema ou uma poesia. Gaúcho, radicado em Garopaba há mais de trinta anos, o homem que chegou na cidade junto com o turismo hippie é autor do livro Lugar de Barcos, que em Guarani significa Ygarampaba, ou Garopaba.

Intercalado com textos de Fernando Pessoa e Henrique do Valle, entre outros autores renomados do Brasil e do mundo, Rezende busca retratar a realidade de sua vida e da pequena cidade, há poucos anos ainda vila de pescadores. Retrata pessoas e momentos. Fala, por exemplo, do grande pescador garopabense, Sebastião, o chamando de Mestre e demonstrando saudades do primeiro amigo feito na terra eleita para morar.

Lugar de Barcos foi lançado na 2ª Feira do Livro, realizada na cidade desde 2012. Para dar corpo ao sonho vivo do autor houve a colaboração do desenhista da cidade, Licínio, além da organização e design do historiador Fernando Bittencourt, representante do Movimento Açoriano de Resgate – MARÉ.
- Tem de tudo aí, pra fazer uma homenagem ao lugar que eu amo – descreveu João Batista Rezende, sobre o livro.

O poeta

Autodidata, ex-funcionário de rádio, TV e jornais impressos, integrante do Círculo do Livro de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, João Batista Rezende nasceu em 11 de fevereiro de 1956, na cidade de Restinga Seca, na época pertencente à cidade de Santa Maria. Aos dois anos se mudou, junto à família, para a capital gaúcha, onde viveu até os 12, quando ficou órfão de mãe. Na ocasião, foi morar em Cachoeirinha do Sul com os avós maternos e a única irmã. E o hábito da leitura surgiu ainda na infância.

- A minha televisão eram os livros. Porque naquela época ainda não existiam os aparelhos – lembrou Rezende.

Por volta dos 17 anos começou a se interessar por arte. Foi quando manteve um círculo de amizade rico em cultura. Eram quatro amigos: os gêmeos Tiaraju e Ubiratan, artistas plásticos e bonequeiros; Eduardo Vieira da Cunha, artista plástico; e o agora garopabense.



Rezende é filho de cantora e integrante de grupo de teatro religioso e neto de pianista e de professor de Xadrez. Foi, inclusive, um dos precursores do Rock’n Roll na cidade de Porto Alegre, sendo mascote da banda Tim Top’s, liderada por Gerry Marquêz, Kiko e Renato Chaves. Além disso, ajudou a fundar o grupo de teatro Ói nóis aqui traveiz, inspirado no disco Demônios da Garoa, de propriedade do diretor do grupo, Paulo Flores.

Heloiza Abreu
Matéria publicada na edição 250 do Jornal da Praia Garopaba.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Os caras pintadas estão de volta. Não os rebeldes sem causa

Há muito tempo não se via uma mobilização social tão linda. A beleza está escondida atrás de olhares, de pensamentos, de angústias, de sofrimentos... De muitas coisas. E essas coisas podem ser muitas coisas mesmo. Vão desde o aumento de vinte centavos na passagem de ônibus em São Paulo, até o investimento absurdo em preparar estádios para a Copa do Mundo de 2014 e esquecer que diariamente um número expressivo de pessoas morre nas filas de hospitais.

O que o cidadão é capaz de pensar diante de tantas ações que contrariam discursos em períodos eleitorais? Muitas coisas também! Mas antes o brasileiro não tinha costume de sair nas ruas com gritos de guerra. Essa outra coisa começou na ditadura, quando muita gente também foi ou tentou ser calada. E se não foi calado por bem foi por mal. De muitas maneiras. Umas ainda conseguem contar histórias. Outras ficaram para a história. Depois foi repetida no governo Collor.

Embora o PT tenha investido em educação universitária que é o alicerce para o “bem estar” – e não em educação de base –, o brasileiro sabe que esta não é sua única necessidade. Diria que há um conjunto de investimentos para esta sensação confortável do cidadão. Falta deixar de dar tanta atenção a um evento momentâneo – Copa do Mundo – para se preocupar com outros fatores sociais que continuam durante a “vida inteira”. É o mesmo que querer aprovar um projeto de lei para alteração da quantidade de pavimentos dos prédios e casas de uma cidade sem que ela tenha sequer um plano de saneamento básico.

A sociedade está nas ruas – e espero que continue por algum tempo, para mostrar que o brasileiro não foge à luta – para reivindicar que a passagem de ônibus não aumente. E nesta passagem de ônibus está incluído, sutilmente, aquilo que falei sobre a Copa, por exemplo. Está embutida, inclusive, a falta de atenção à saúde da dona Maria que fica horas, ou até dias, para conseguir consultar num hospital público. Consta nesta manifestação, também, a falta de segurança pública para o João, que sai de casa ainda pela madrugada para trabalhar. Inclui o descaso com a professora Joana, que dá aula em três escolas e recebe um “valor simbólico” pelo trabalho.

Conforme disse, tudo isso está embutido sutilmente no aumento da passagem do ônibus. São as mágoas, as angústias do cidadão brasileiro que estão sendo jogadas para fora. O que não precisa, porém, ser causa de depredação de patrimônios, de atos de vandalismo. Afinal, somos uma sociedade organizada e não rebeldes sem causa.

Heloiza Abreu
Acadêmica do 7º semestre do Curso de Comunicação Social - Jornalismo da UNISUL

sábado, 25 de maio de 2013

Tento, todos os dias, entender por que as pessoas morrem


Desde pequena, quando tive a minha primeira perda – que acredito ter sido a minha bisavó que morava na nossa casa, a avó Dolores – tento entender por que as pessoas morrem. Por que elas nascem todo mundo sabe. Tudo bem, eu já acreditei na teoria da cegonha, mas hoje sei que foi é só teoria mesmo. Mas por que elas morrem?

Minha mãe me ensinava que a teoria religiosa da vida, reprodução e morte. Meus professores me ensinavam a teoria que a biologia prega. E aí minha cabeça dava um nó. Tinha horas que eu não queria entender. Só que o pior de tudo é que o tempo passou e a minha cabeça permaneceu num nó.

Há poucos meses eu perdi um grande ídolo: um tio querido que ia todos os dias na minha casa, tomava café da manhã comigo, adorava conversar sobre tudo com a “sobrinha malcriada” (sim, era assim que ele me chamava, porque eu falo o que eu penso) e, principalmente, tirar onda da minha cara. Esse era o tio Beto. Mas até então, muitos parentes, amigos, pessoas tão maravilhosas e próximas de mim já tinham partido. Hoje, no entanto, com a notícia do falecimento de uma pessoa que tanto fez o bem aqui em Garopaba, me questionei novamente sobre o porquê da morte.

O fato é que buscamos acreditar que a morte seja uma passagem para um novo plano, para uma nova fase, para um lugar onde não haja dor nem sofrimento. Neste lugar só se pratica o bem, só há o bem. Enfim, que seja próximo de Deus ou de qualquer outra energia tão maravilhosa que nos faça levitar – quando estou próxima de algo maravilhoso é como se eu levitasse.

E aí eu chego a conclusão de que só pessoas tão maravilhosas são capazes de chegar neste estágio. A minha bisavó e o meu bisavó (avós paternos da minha mãe), a minha avó paterna, os meus primos, os meus tios, os meus amigos e todas aquelas pessoas tão amadas que já se foram.

Eu sou católica, nascida e batizada nesta religião. Tenho vários outros sacramentos desta doutrina também. Mas eu acredito em outras pregações, como a do espiritismo, que trata da reencarnação. Só não vou entrar nestes detalhes, afinal já recebi ofensas e “homilias” por alegar isso. Eu não tenho medo de admitir as minhas crenças, só evito alvoroços.


Mas, embora ainda seja confuso entender o sentido da morte para mim, só espero ter a chance de ser tão maravilhosa a ponto de chegar num lugar assim, espetacular. Espero ser recebida por estas pérolas, as minhas preciosidades que estão em harmonia comigo através do espírito.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Murilo não faz, se apaixona, envolve e se envolve



Uma vida sempre cheia de energias. Um espírito cheio de luz, de vontade, de amor. Mesmo nas contrariedades da vida, uma força vinda de um lugar inesperado estimulava o jovem com espírito de um menino a se mover adiante. Murilo Medeiros da Silva, 20 anos, é um rapaz cheio de sonhos. E é daqueles que não deixa os sonhos ficarem na imaginação. Ele os coloca em prática.

Para muitos, Murilo é daquelas pessoas “metidas”. Mas, buscando na essência, ele é um verdadeiro interessado, que não desiste fácil dos anseios. 

- Eu sou metido. Sou assim por aquilo que eu gosto, por aquilo que eu sei e pelo que não sei – é a frase dita, sempre aos risos e brincadeiras, pelo “metido”.

Desde pequeno, a principal característica do menino de família humilde, porém calorosa de amor, é a curiosidade. Como se ele tivesse embutido na sua mente ainda prematura, na época, que as conquistas só são obtidas se houver muito, mas muito esforço e curiosidade.

As outras crianças tinham ciúmes dos brinquedos. E não eram só as crianças. Os adultos também. Murilo admite, entre palavras e risos, que era um garoto estilo “mexilhão”, conforme costumavam dizer os avós, os pais, os tios das atuais gerações.

- Em alguns momentos, quando eu ia a algum lugar, portas eram fechadas, casas esvaziadas e vozes anunciavam a minha chegada: lá vem o Murilo, cuidado com as coisas, não deixem brincar com os meus brinquedos.  Lembro-me disso como se fosse hoje. Mas eu não guardo magoas nem ressentimentos (risos) – disse ele em uma conversa informal.

Murilo nasceu num dia 30 de junho, em Tubarão, no Sul de Santa Catarina. O ano foi 1992, depois de ser tão desejado, esperado. Mas a cidade natal do garoto é Laguna, um pouco mais ao norte, mais precisamente no bairro de Pescaria Brava – que alguns anos depois foi emancipado. A família, no entanto, não imaginava que a espera traria alguém tão envolvente e, ao mesmo tempo, envolvido. Com o tempo, o menino “mexilhão” mostrou que era alguém especial, com um engajamento social fora do comum.

Momentos marcantes nesta vida tão jovem e, ao mesmo tempo tão cheia de vivências, não faltaram. Mas a infância foi o período destinado para os mais sábios e duros ensinamentos. Os primeiros anos na escola foram de muita agitação e bagunça. Seguindo o perfil de menino elétrico que era em casa ou em qualquer outro ambiente que se sentisse familiarizado – condição que dependia de pouco –, Murilo era o aluno que mais se destacava na sala: ele era o mais elétrico da sala.

Logo no primeiro ano do ensino fundamental, em uma escola típica de interior, com poucas salas e muitos conhecidos, o mais conhecido da turma era ele. Ele brigava, ele reclamava, deixava as tarefas por fazer e respondia a professora. Se é que o método da cadeira do pensamento era empregado, a professora já o havia gastado para tentar educá-lo. Conversar com a mãe? Isso já não bastava mais. Até que, depois de tantas travessuras na escola, levou uma surra da mãe na frente de todos os amigos. Esta versão da história foi contada por ele mesmo, em mais uma conversa entre amigos. A vergonha sentida e a sensação de lição aprendida o fizeram mudar de comportamento. E a partir de então, tudo mudou – para melhor.

Desde sempre envolvido, metido.

Murilo não era “metido” somente na vida pessoal ou na escola. Sempre foi um jovem muito espiritualizado; é iluminado. O engajamento com a Igreja, por exemplo, também começou cedo. Ainda bem pequeno já participava das missas, incentivado pelos pais. O tempo passou e o envolvimento se tornou ainda maior. Catequizou-se e hoje catequiza também. Tanto que, quando perguntam para ele sobre a religião dele, a resposta já está na ponta da língua: “Sou católico, e bem católico. Vivo intensamente a minha fé e a minha religião”.

O primeiro sonho era semelhante ao de muitos garotos que frequentam a Igreja Católica: ser padre. Até hoje, muitos amigos se questionam: Será que o futuro do Murilo não é ser Padre? Mas ele crê que para isso dependeria de um chamado de Deus, algo que ainda não tivera. Na sua concepção, para seguir o caminho do sacerdócio o indivíduo precisa receber um chamado divino.

Os anos se passaram. As coisas aconteceram rapidamente. E, aos 17 anos, no ano de 2009, Murilo concluiu o Ensino Médio na Escola Jovem, em Tubarão. Os fortes vínculos com a política e com a história tanto local quanto nacional e internacional, conduziram o rapaz, enquanto recém-formado, a prestar vestibular para História na Unisul.

O sonho dele era lecionar, expandir a cultura de várias partes do mundo para aqueles que se dispusessem a aprendê-la. Mas, para surpresa de Murilo, e dos outros estudantes que também foram aprovados para o curso, não tiveram alunos suficientes para completar uma turma. A prova, por sua vez, acabou sendo invalidada. Foi quando o sexto sentido falou mais alto e ele tentou, através de outros métodos avaliativos, ingressar no Curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo, na mesma instituição de ensino.

A “paixão” pela comunicação surgiu ainda no período da Escola Jovem. Um sistema de rádio interno instalado dentro do prédio, do Projeto Rádio Jovem, dependia apenas da vontade de colocá-lo em funcionamento. Foi quando o “metido”, o “curioso” resolveu, mais uma vez, dar o pontapé inicial. Ele estimulou os demais alunos a realizar entrevistas, bate-papos, além de colocar músicas para divertir os momentos de lazer dentro da escola.

Hoje, Murilo Medeiros da Silva, o jovem curioso e metido, é formando de Jornalismo. É, também, Coordenador da Pastoral da Juventude da Diocese de Tubarão, recentemente premiado na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina pelo trabalho desempenhado no setor. Em razão deste destaque, é convidado constantemente para realizar encontros, palestras e participar de eventos e seminários em diversos lugares. Os dois mais recentes eventos que o jovem de 20 anos foi convidado a participar foi o Encontro Brasileiro de Universitários Cristãos, em Minas Gerais, e a Jornada Mundial da Juventude, na Espanha, ambas no ano de 2011.

Ele aplica os conhecimentos de comunicação nas atividades religiosas. Concilia as paixões. Vive as paixões. É um eterno apaixonado pelo que faz. Por isso, mesmo diante das milhões de atividades que realiza – desde trabalhar o dia todo, estudar à noite e se dedicar às atividades da Igreja e Pastoral da Juventude – não há cansaço. Para ele, prevalece a condição de que, quando você faz o que gosta, não trabalha sequer um dia na vida. Murilo não trabalha, se apaixona mais e mais pelo que faz.

Heloiza Abreu
Disciplina de Jornalismo de Autor
Professora Ana Paula Bandeira